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Sérgio
Porto, por ele mesmo,
"Auto-retrato do artista quando não tão jovem"
ATIVIDADE PROFISSIONAL: Jornalista, radialista, televisista
(o termo ainda não existe, mas a atividade dizem que sim), teatrólogo
ora em recesso, humorista, publicista e bancário.
OUTRAS ATIVIDADES: Marido, pescador, colecionador de discos
(só samba do bom e jazz tocado por negro, além de clássicos), ex-atleta,
hoje cardíaco. Mania de limpar coisas tais como livros, discos, objetos
de metal e cachimbos.
PRINCIPAIS MOTIVAÇÕES: Mulher.
QUALIDADES PARADOXAIS: Boêmio que adora ficar em casa, irreverente
que revê o que escreve, humorista a sério.
PONTOS VULNERÁVEIS: Completa incapacidade para se deixar arrebatar
por política. Jamais teve opinião formada sobre qualquer figurão da
vida pública, quer nacional, quer estrangeira.
ÓDIOS INCONFESSOS: Puxa-saco, militar metido a machão, burro
metido a sabido e, principalmente, racista.
PANACÉIAS CASEIRAS: Quando dói do umbigo para baixo: Elixir
Paregórico. Do umbigo para cima: aspirina.
SUPERTIÇÕES INVENCÍVEIS: Nenhuma, a não ser em véspera de decisão
de Copa do Mundo. Nessas ocasiões comparativamente qualquer pai-de-santo
é um simples cético.
TENTAÇÕES IRRESISTÍVEIS: Passear na chuva, rir em horas impróprias,
dizer ao ouvido de mulher metida a besta que ela não é tão
boa quanto pensa.
MEDOS ABSURDOS: Qualquer inseto taludinho (de barata pra cima).
ORGULHO SECRETO: Faz ovo estrelado como Pelé faz gol. Aliás,
é um bom cozinheiro no setor mais difícil da culinária: o trivial.
Sérgio
Porto, agosto de 1963. |