Depois da Segunda Grande Guerra, é preciso romper com as amarras
do passado e procurar novas tendências que apontem para o futuro. O avião supersônico,
a estrutura do átomo, a arte moderna, tornam necessário inaugurar uma nova ordem
estética onde o futuro é já.
Disso resulta uma época de muito exagero! A palavra de ordem é
Futurismo. Esta é a tônica de toda uma indústria montada pelo esforço de guerra. É
preciso fabricar, e fabricar muito... Criar um mercado mundial que absorva de tudo, até o
mais supérfluo. E a forma é o apelo supremo. O plástico é a matéria prima, tudo é de
matéria plástica. Por ser maleável, o plástico substitui com vantagem a madeira, o
metal, materiais nobres. Aglomerados, revestimentos, tudo em nome da produção. |

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Carros, casas, móveis, utensílios, tudo reproduz o movimento, a
fluidez. O objeto, mesmo parado, deve sugerir movimento, pronto para alçar vôo. A arte
fornece a paleta de tons berrantes alternados com tons pastel, os ângulos alternados com
amebas. O "moderno" tudo incorpora, para criar uma nova forma, combinação de
antípodas. Nos cinqüenta, até o mais simples objeto deve anunciar os novos tempos, e
com seu formato aposentar o anterior. O "antigo" é vinculado à
estética pré-guerra e portanto, obsoleto. As cores devem ser vivas, daí os corantes
para os alimentos, a tinta "martelada", a gelatina colorida, os tons cintilantes
(tinta com flocos metálicos). Com a promessa da energia nuclear, barata e não-poluente,
tudo passa a ser atômico, até o pincel (hoje, pilot).
Todos os produtos trazem no nome a promessa do desempenho:
Futuramic, Hydra-Matic. O tradicional ainda tem seu lugar nessa indústria. Mas quem
poderá resistir ao apelo do novo?
Dan Palatnik |
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A televisão ao lado é uma Clássica
Philco Predicta, e foi eleita a "mascote" do Bric-A-Brac,
por dois motivos únicos, em primeiro lugar foi exemplo da revolução
da tecnologia e do sonho futurista dos Designers, em segundo lugar,
através de seu Cinescópio em preto e branco, vieram a nós imagens
inesquecíveis da história recente da humanidade e do Brasil, o assassinato
de John Kennedy, o homem na Lua, os Beattles, os primeiros desenhos
animados, os programas de TV gravados ao vivo, o Repórter Esso, o
golpe militar de 1964, os estudantes da UNE no Calabouço, a censura
explicita no Certificado de Impropriedade datilografado e exibido
no início de cada programa, o National Kid, a Jovem Guarda, a calça
Saint Tropez, o Mug, os Aero-Willys e o Simca, o Vigilante Rodoviário,
o carnê Girafa, a copa de 70, o fim da guerra do Vietnã, etc. e põe
etcétera nisso... Baú de nossas memórias, dedicamos algumas páginas
à história deste aparelho de TV, que conforme o slogan americano
da época de seu lançamento dizia:
A TV de hoje para o Mundo de
Amanhã !
Somos o
amanhã com nossos monitores plugados na Grande Rede. Quem
de nós sonhou imaginar que daquele monte de válvulas, transistores,
diodos, capacitores e circuitos impressos estaria surgindo a
semente da revolução tecnológica da humanidade ? |

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