Nas Curvas do Tempo !


  
O Design a serviço do plástico e o plástico a serviço do design

A competição acirrada entre fabricantes de matérias à base de baquelita, o desenvolvimento de outros plásticos e principalmente a ampla utilização da baquelita no design de utensílios, tornou-a mais barata do que nunca em uma economia de escala jamais experimentada por qualquer outra matéria-prima. A baquelita resultou num dos melhores substitutos para materiais tradicionais. Também era mais barata que outros materiais como madeira e aço e, em várias situações tão ou mais resistente. Por outro lado, o uso da baquelita e outros plásticos não requeriam muita mão-de-obra para montagem e acabamento do produto final. Todo produto de baquelita poderia ter a cor de sua escolha o que não ocorria com a madeira e o aço que necessitavam de pintura.

Rádio Zephyr - Plástico colorido

 


Mas, o preto e o marrom eram as cores mais usadas durante os anos 30, no intuito de assemelhar a baquelita ao aspecto da madeira e do ferro. A baquelita foi usada freqüentemente para imitar materiais de madeira em produtos tais como gabinetes de rádio, telefones, cigarreiras, relógios, bases de abajur, acabamentos automobilísticos e assim por diante. Na alta sociedade americana havia um pouco de resistência contra produtos em baquelita, pois eram vistos como baratos e sórdidos. Esta visão e reputação da baquelita foi criada porque outros produtos plásticos não foram bem empregados anteriormente, assim a baquelita teve uma reputação injusta nas camadas mais ricas da sociedade americana.

A The Bakelite Corporation se empenhou em convencer vários setores da indústria, a embelezar seus produtos com plástico. No caso do rádio, a baquelita foi vista como uma boa substituta para a madeira, que era freqüentemente usada pela classe rica de sociedade americana. Mas, a imitação de madeira através de baquelita estava quase perfeita.
O melhor de tudo era que um rádio de baquelita era muito mais barato que um rádio com gabinete de madeira. Principalmente durante a depressão dos anos 30, a baquelita tornou possível a que todos os americanos pudessem comprar um rádio por apenas US$10, ao invés das centenas de dólares de um rádio com gabinete de madeira.


Relógio Warren Telechron 1938 - Baquelita



Televisor General Electric 1957 - Plástico




Telefone Anos 60 - Baquelita colorida

Entre 1933 e 1934 a revista " Modern Plastics and Sales Management" apresentou uma série de anúncios e matérias que focalizaram os designers e os produtos de baquelita por eles desenvolvidos. Cada uma destas matérias apresentava uma foto do produto e uma biografia do designer, apresentando-o como uma celebridade e enfatizando suas capacidades de criação no campo do design moderno. A baquelita podia fazer muito mais do que simplesmente ser barata. Desenhar, projetar e colorir, era muito mais fácil com a baquelita. Na realidade, a relação entre a indústria de plásticos e o design era simbiótica.

Como foi dito na revista "Busines Week " em 1935, "as tendências modernistas impulsionaram o uso de plásticos em edifícios, mobílias e decoração, e, os plásticos pela sua beleza impulsionaram o modernismo". A baquelita e os plásticos eram e ainda são um material muito bom para crias contornos aerodinâmicos e projetar estilos. Os anos 30 foram invadidos e "contaminados" por estilos e projetos aerodinâmicos. Leve, escultural e veloz, o design aerodinâmico refletia o desejo americano de um vôo sem atrito para um futuro onde formas arredondadas proveriam um ambiente protetor e harmonioso. Contornos arredondados também tiraram proveito da beleza refletiva do plástico brilhante. Na realidade os plásticos e as tendências aerodinâmicas reforçaram-se um ao outro. O movimento Art Deco, por outro lado, influenciou muitos produtos de baquelita através do seu estilo.

Por causa da depressão muitas pessoas começaram a pensar em idéias novas para trazer a economia de volta à vida. Na realidade, a baquelita e outros plásticos eram feitos para a depressão. Muitas pessoas pensaram que o design de produtos era um dos recursos que poderiam fazer produtos mais atraentes para as pessoas, e assim elas poderiam comprá-los. Mas não só o design de produtos poderia atrair as pessoas que começam a comprar novos bens no pós-depressão. Os produtos tinham que ser acessíveis. Foram desenvolvidos baquelitas especiais e outros tipos de plásticos para esta tarefa, eles eram mais baratos ainda. Em outras palavras, a baquelita e outros plásticos se tornaram materiais com um caráter competitivo muito forte.


Chevy Bel Air 1957 - O Plástico colorido,
complementa e combina os detalhes (volante, botões, manivelas, etc.) com a cor da lataria.

Rádio Truetone 1950 - Estilo Art Deco

A relação rádio - baquelita
O rádio com certeza foi o maior difusor da baquelita e dos plásticos no EUA durante os anos 30. Os rádios se tornaram um artigo da moda ao final da década. As opções de cores eram infinitas: ônix, mármore, jade, coral, quartzo rosa, azul oceânico, amarelo, etc. O tamanho destes rádios refletiu o desenvolvimento de componentes menores, da válvula ao transistor foi um pulo, impulsionado principalmente pelo arrojo do design. O rádio também foi instrumento muito importante, usado com freqüência pelo presidente Franklin Delano Roosevelt, para enviar mensagens à população americana. Embora houvesse uma depressão, muitos americanos podiam dispor de um rádio em casa porque a baquelita era barata.

Nos anos 20 e 30, depois da "Era da Máquina", podemos dizer que surgiu, a "Era do Plástico".

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