-  Grandes nomes fizeram a história do disco,

alguns destes personagens terão suas biografias apresentadas no Bric-A-Brac.


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Billie Holiday - "Lady Day"
Billie Holiday nasceu em 1915, em Baltimore. Seu verdadeiro nome era Eleanora. Filha de Sadie Fagan e do guitarrista Clarence Holiday, que tocou com a famosa banda de Fletcher Henderson, entre outras. Muitos dizem que ele foi um grande guitarrista, mas certamente não foi um grande pai. Billie ganhou seus primeiros trocados quando tinha seis anos, lavando os degraus das casas geminadas de Baltimore. A época mais feliz da sua infância foi a que ela passou fazendo faxina em um prostíbulo na vizinhança - a patroa da casa deixava que ela ouvisse os discos de Louis Armstrong e Bessie Smith na vitrola.

Quando estava com dez anos, foi mandada para um lar de "meninas abandonadas" após uma tentativa de rapto por parte de um vizinho. Aos quinze anos ela e sua mãe se mudaram para o norte, no Harlem. Billie foi posta em uma pensão que também funcionava como bordel e ali ela trabalhou como prostituta. Em 1932, voltou a viver com sua mãe e logo depois começou a trabalhar em um clube noturno. Mais tarde ela contou que apenas pediu um emprego e quando o proprietário perguntou o que sabia fazer, ela disse que era dançarina. Depois que provou que não sabia dançar, o proprietário deu-lhe uma nova chance e desta vez ela disse a verdade: "Sou cantora", ele então permitiu que ela tentasse novamente, desta vez conseguiu o emprego. Recebia dezoito dólares por semana mais gorjetas; cantava da meia noite às 3 da manhã todas as noites. Quando foi contratada, estava sem comer há vinte e quatro horas. A primeira coisa que fez com as gorjetas que recebeu na primeira noite foi comprar um sanduíche, que comeu na hora e um frango que levou para casa. Pouco tempo depois, ocorreram fatos que se repetiriam várias vezes na vida de Billie: a notícia sobre o quanto ela era boa se espalhou, e ela não conseguiu manter o seu emprego. Ela não cantava da mesma forma que as outras pessoas. Sua forma de entoar as frases era diferente; usava a voz como um instrumento, da forma como ouvira Louis Armstrong usar a voz. O tempo em que ela entrava na música era diferente, cantava ligeiramente atrás da batida. Usando a letra de forma diferente, trazia sentimentos às palavras mais inertes, e, como improvisava, ela as transformava em suas próprias palavras.

Cantando como seus ídolos, Bessie Smith e Louis Armstrong, dizia que queria trazer o tipo de sentimentos deles para as suas músicas. "Eu não acho que estou cantando, eu sinto que estou tocando uma buzina", disse ela sobre a própria voz. "Tento improvisar como Lester Young, como Louis Amrstrong ou como alguma outra pessoa que eu admire. Tenho de mudar a canção para o meu jeito de cantar. Isto é a única coisa que eu sei". Essa única coisa fez com que os proprietários de pequenos clubes ficassem nervosos quando Billie começava a cantar, e assim, ela foi de um lugar para outro até que um número suficiente de pessoas ouviram-na cantar. Em 1937, foi convidada para cantar com a nova orquestra de Count Basie; mais ou menos um ano depois disso, saiu e foi cantar na banda de Artie Shaw. Seus primeiros discos foram feitos com o pianista Teddy Wilson em 1935, a colaboração entre eles pelos três ou quatro anos seguintes inclui algumas das maiores gravações do jazz. Então, com os discos na rua, as pessoas começaram a falar sobre ela novamente. Billie estava se tornando uma estrela. A colaboração dela em discos e sua paixão pelo saxofonista tenor Lester Young começaram naqueles anos. Young foi a primeiro a chamá-la de "Lady Day." Ela o chamava de "presidente". Billie parecia ter atingido a plenitude nas gravações que fizeram juntos - ela cantava do jeito que ele tocava - e existia ali um tipo de alegria, uma sensação de liberdade e de exuberância.

Sobre Lester Young e Teddy Wilson, Billie disse mais tarde, simplesmente, que "Eles tocavam música do jeito que eu gosto". Várias de suas gravações daquele tempo - final da década de trinta - entraram nas paradas. "Carelessly", gravada em 1937, ficou três semanas no primeiro lugar das paradas e doze semanas ao todo nas paradas. Em 1939, foi convidada para trabalhar fixo no sofisticado Café Society Downtown em Greenwich Village - o lugar "in" dos Nova Iorquinos da moda e o primeiro clube racialmente misto daquela área da cidade, onde várias estrelas do jazz e da música popular se apresentaram pela primeira vez. Billie terminava cada conjunto de músicas que apresentava no Café Society cantando "Strange Fruit" (som wav - 881 Kb), uma crítica poderosa e poética sobre o relacionamento entre as raças, sobre o problema especificamente americano dos assassinatos de negros no sul por grupos de linchamento. "As árvores do sul dão estranhas frutas / Há sangue nas folhas e sangue nas raízes / Corpos negros balançam na brisa do sul / Estranhas frutas penduradas em árvores comuns". Estas são palavras fortes e marcantes e Billie as cantava com amargura e desprezo disfarçados com grande efeito. Como em "Strange Fruit," a canção "God Bless the Child" não é jazz cantado por uma grande cantora de jazz, há ali uma acusação sobre a diferença entre os que têm muito e os que não têm nada. "God Bless the Child" era outro hino de Billie Holiday … Os fortes conseguem mais / Enquanto os fracos se esvaem / Bolsos vazios nunca marcam pontos / Mamãe pode ter / Papai pode ter / Mas Deus abençoe a criança / Que tem o que é dela / Que tem o que é dela." Em sua autobiografia, Billie escreveu que "Você tem que ter algo para comer e um pouco de amor em sua vida antes de ser capaz de agüentar calado o sermão de alguém" . A maioria das músicas de Billie Holiday falavam sobre como as mulheres eram maltratadas pelos homens. "Strange Fruit" e "God Bless the Child" pousam um olhar frio nas atitudes desumanas que todos nós compartilhamos. Depois do Café Society, Billie estrelou como cantora solo em bons clubes na cidade. Ela era linda e bem sucedida, mas no começo da década de quarenta, seu declínio já tinha começado. Billie estava injetando heroína todos os dias. Traficantes faziam parte do seu pessoal. Ela não era confiável. Os proprietários de alguns clubes já não queriam contratá-la. Sua voz começava a desaparecer. Em 1946, passou pela sua primeira desintoxicação.
Em 1947, foi presa por posse de drogas. Depois de solta, ela não conseguia tirar a licença para trabalhar em cabarés,- que naquela época era uma exigência para se trabalhar em clubes em Nova Iorque. Trabalhando fora da cidade, fez algumas apresentações ilegais em Nova Iorque e alcançou um sucesso breve em um concerto no Carnegie Hall, foi presa novamente em 1956 e nessas alturas ela já estava viciada tanto em heroína quanto em álcool. A última apresentação de Holiday foi em maio de 1959. Durante a apresentação ela precisou ser hospitalizada novamente e foi presa por posse de narcóticos. Billie Holiday morreu em 17 de julho de 1959.

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