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Em
1939, pouco depois do surgimento do Superman, a DC Comics vê
aparecer seu segundo herói mascarado, Batman. Para explorar
o sucesso excepcional de Superman, Whitney Ellsworth, supervisor
das publicações da DC, recorre a Bob Kane, um
de seus desenhistas mais engenhosos e lhe pede que crie um novo
personagem. Por sua vez, Kane vai buscar orientação
com seu amigo Bill Finger, autor de talento, com quem já
criara Rusty and His Pals e Clip Carson para a
Adventure Comics. A idéia básica de Bob Kane é
vaga: um herói vestido de vermelho, com duas abas rígidas
nas costas e um pequeno capuz como máscara. Dessa idéia
inicial, Bill Finger manterá somente o nome inventado
por Kane:
Batman
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O poder de evocação desse simples nome transportará
Finger ao domínio de sua infância e de suas leituras
favoritas: as Pulps da época de ouro. Utilizando
suas lembranças de um velho filme de 1926,
The Bat, e seu imenso conhecimento dos quadrinhos, Finger decide
fazer o Batman uma criatura da noite, parecida com o Sombra
e o Homem Aranha. Como os heróis de Walter Gibson e Norvell
Page, Batman é um justiceiro impiedoso: parecido com
o vampiro, por sua aparência aterrorizadora, com uma determinação
implacável, ele inspira medo aos criminosos mais insensíveis.
Uma vez decidido o aspecto do personagem, ao qual se atribuiu
uma vasta capa de bordas em asas de morcego, uma máscara
dotada de longas orelhas (que mais tarde diminuiu sensivelemente)
e cores de conjunto azul-cinzento, muito mais adaptadas a uma
ayividade noturna do que o vermelho original, era preciso dar-lhe
uma personalidade. É aí que Bill Finger se afasta
totalmente da tradição instaurada pelo Superman.
O homem de aço podia satisfazer o público pre-disposto
às façanhas de um herói invencível,
invulnerável, sem falhas. Batman, vingador muito humano,
sem poderes extraordinários, menos jovial que o kriptoniano,
iria formar seu próprio público.
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A
origem de Batman, revelada na Detective Comics nº.
33, ou seja, sete números após sua primeira aparição
em seis páginas da Detective nº. 27 em maio de 1939,
mostra total diferença de concepção entre
os dois grandes heróis da DC. O jovem Bruce Wayne assiste,
aos dez anos, ao assassinato do pai e da mãe por um criminoso
violento. Anos mais tarde, tendo se tornado um "erudito
excepcional" e alcançado a "perfeição
física", ele decide começar sua luta contra
o crime. Que aparência adotar ? - Bruce se pergunta. "Os
criminosos são supersticiosos e facilmente amedrontáveis,
e meu disfarce deve fazê-los tremer de terror. Tenho que
ser uma criatura da noite. Escura, terrível..."
Como por um milagre, um morcego perdido surge pela janela da
mansão: "Um morcego ! É um presságio
!... Eu me tornarei um morcego !"
E assim nasceu a lenda.
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A
partir desse instante, está traçada a direção
que o personagem terá: vingador mascarado impiedoso,
Batman não hesita em se servir de uma pistola, se necessário.
Seu papel é o de limpar o mundo, e sobretudo Gotham
City (na realidade, Nova Iorque), dos criminosos de qualquer
espécie. Nada deterá a marcha da justiça
e os malfeitores serão duramente castigados. Esta ótica
escolhida por Finger dá aos primeiros episódios
de Batman um aspecto macabro muito estranho, quase digno das
pulps de horror. Pouco a pouco Batman vai adquirir suas
características mais familiares: cinturão com
dispositivos, as luvas aladas, a capacidade de escapar de armadilhas
inextricáveis, como um Houdini
sobrenatural. Logo depois de seu confronto com o Dr. Death,
na Detective nº. 35, Batman é confiado a
um outro autor que não Bill Finger, um jovem advogado
chamado Gardner Fox.
Durante alguns números da Detective Comics, Fox
incutirá um novo tom às aventuras do homem-morcego.
Inimigos como o padre louco criam um ambiente inquietante, levando
Batman à Europa, nos castelos assombrados, perseguindo
vampiros, combatendo lobisomens e muitas vezes outras ameaças
vindas do além. Essa orientação, bastante
insólita para a época, não ia durar, no
entanto.
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Enquanto
Bill Finger chegava ao posto de comando na DC, Bob Kane se associou
a um jovem assistente de dezessete anos, Jerry Robinson. A partir
de dezembro de 1939, Robinson assegurará a continuidade
artística de Batman, e isso durante longos anos. Mais
que qualquer outro, ele contribuiu para definir o universo de
Batman desse período. Na edição da Detective
nº. 38 de abril de 1940, Robinson decidiu que Kane
e Finger deveriam acrescentar um jovem amigo a seu herói:
é o nascimento de Robin. Batman jamais será o
mesmo.
Seu pupilo Dick Grayson ajudará Bruce Wayne / Batman
numa quantidade inacreditável se situações
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perigosas,
salvando-o mil vezes da morte. Com a vinda de Robin, Batman
se humaniza consideravelmente. Ganhou um interlocutor e não
é mais o vingador solitário do início.
Nem jamais utilizará uma arma de fogo. Sua determinação
de origem se transforma em capacidade fenomenal de dedução.
Ele é um novo Sherlock Holmes e se torna o maior detetive
do mundo, ao qual não faltam nem cérebro nem
músculos.
Diante de batman
e Robin, Jerry Robinson desencadeia um exército de
vilões, cada um mais estranho que o outro: o gozador
Coringa,
de sorriso maléfico; o Pingüim
com seu guarda-chuva assassino e suas oito imagens; a Mulher-Gato
e sua astúcia felina, que não a impedirá
de se apaixonar por Batman; Duas Faces, o semi-desfigurado;
promotor Attorney; Edward E. Nigma, o Charada, que sempre
deixa indícios misteriosos em torno de seus crimes;
o Espantalho; Camaleão; o Mosqueteiro; Tweedledum e
Twedledee e uma centena de outros. O universo do crime parece
atingido pela demência, pois todos esses adversárioa
de Batman têm algum grau de loucura.
O sucesso de
Batman não arrefecerá durante estes anos. Sob
a pena de Bill Finger, Bob Kane e Jerry Robinson, o vingador
mascarado e seu protegido correm ao volante do Batmóvel,
assim que os inocentes são ameaçados. A popularidade
do personagem se estende a todas as espécies de domínios.
Em 1943, a Columbia leva Batman
e Robin ao cinema num seriado com este título onde,
durante 15 episódios semanais, os espectadores revêem
Lewis Wilson e Douglas Croft no papel de nossos heróis,
lutando contra o diabólico Dr.
Daka, espião do império do Sol Nascente.
No mesmo ano, uma tira completada por estampas no domingo
introduzem Batman nos grandes jornais americanos. Nos desenhos
de Bob Kane ou Jack Burnley (criador de Starman) pintados
por Cahlie Paris, o homem-morcego chega ao seu auge. Ao lado
dessa tira, Batman aparece com sua própria revista,
na Detective Comics e na World's Finest Comics,
fazendo algumas aparições como convidado da
Sociedade de Justiça da América na All Star.
É o triunfo.
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No
correr dos anos, a popularidade de Batman não decresce,
a não ser em meados dos anos 50, em que ele se defronta
com ameaças ineptas e pouco interessantes. Mas da idade
de ouro dos anos 40 a seu renascimento em 1966, graças
ao seriado
de TV da companhia ABC, Batman permanece uma força
poderosa entre os grandes dos quadrinhos. Os episódios
televisados de Batman marcam o triunfo da moda camp nos
Estados Unidos em meados dos
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anos 60. Adam West e Burt Ward encarnam Batman e Robin
e encontram uma plêiade de vedetes que assumiram os traços
de seus piores inimigos: Cesar Romero (o Coringa), Frank Gorshin
(o Charada), Lee Meriwether (Mulher-Gato), Victor Buono (Rei
Tut), Burguess Meredith (Pingüim) e muitos outros. É
a segunda carreira gloriosa da dupla dinâmica que se inicia.
A
partir desse fantástico sucesso na televisão,
montanhas de mercadorias Batman são vendidas no mundo.
A tira diária recomeça am 1966, são publicados
livros de bolso. uma torrente de aparelhos e traquitanas Batman
invade o mercado. Sob o lápis de Neal
Adams, Jim
Aparo, Carmine Infantino e outros que garantem a continuidade
nos quadrinhos desde Bob Kane, Dick Sprang ou Curt Swan, da
idade de ouro, Batman afirma sua perenidade. Não se mata
um símbolo.
A
noite negra. Um rato corre pelas calçadas molhadas. Tiros,
gritos, uma sirena de alarme ressoa. Holofotes vasculham a escuridão,
Gotham City está aterrorizada. O cenário está
montado, é o momento para que entre em cena o homem-morcego,
o único, o inigualável... BATMAN ! (D.H.Martin)
Texto extraído da apresentação
do Livro Batman
- Bob Kane
Editora LPM Quadrinhos - 2ª. Edição - 1987
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