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Nascido
em 6 de março de 1917 no Brooklyn, Nova Iorque, filho de judeus
imigrantes, teve em suas primeiras experiências de vida a inspiração
para a maioria de suas "Graphic Novels". Na DeWitt Clinton High
School no Bronx, Will desenvolveu o seu interesse pela arte
e no jornal desta escola, teve seus primeiros trabalhos publicados.
Sua primeira história em quadrinhos surgiu em 1936 em "WOW
What a Magazine !", para esta revista ele criou dois personagens,
"Harry Karry" e "The Flame", mas, a publicação teve vida curta
e fechou depois do quarto exemplar. Will Eisner se juntou a
seu amigo Jerry Iger e nascia então o Eisner-Iger Studio. O
estúdio era uma verdadeira fábrica de quadrinhos, produzindo
tiras dos mais variados gêneros, na intenção de inseri-los nos
jornais americanos.
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Hawks of the Sea
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Em busca deste propósito, o Eisner-Iger Studio começou
a recrutar jovens artistas que no futuro se tornariam
individualmente grandes nomes dos quadrinhos, como:
Bob Kane (Batman), Lou Fine (The Flame) e Jack Kirby
(Capitão América e Hulk). O trabalho mais
importante deste período foi "Hawks of the Seas" (Falcões
do Mar), que contava aventuras dos altos mares e que
teve seu início como "The Flame". A parceria com Jerry
Iger terminou em 1939, quando Will Eisner se juntou
ao "Quality Comics Group" para produzir um suplemento
em quadrinhos de 16 páginas ligadas ao Sindicato dos
Quadrinhos (Comic Syndicate).
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Foi para este suplemento que Will criou seu mais famoso personagem,
"The Spirit".
Seu trabalho com a "Quality" lhe deu a oportunidade de atingir
o grande público, sua audiência nos grandes jornais da América
foi enorme. O suplemento continha três histórias coloridas desenvolvidas
por Will. A principal história, "The Spirit", era uma aventura
de detetive, onde Will era responsável pelo roteiro, desenhos
e arte final. A trama consistia num detetive mascarado que protegia
Central City dos bandidos, apenas com seus punhos, sem nunca
usar uma arma. Logo estas histórias se tornaram as mais populares
e esperadas pelos leitores dos jornais, a tal ponto que o suplemento
foi re-batizado como "The Spirit", tornando-se o balão de ensaios
para Will desenvolver um dos mais inovadores trabalhos no campo
das histórias em quadrinhos. Mesmo nas primeiras histórias já
era possível perceber a presença de elementos como tomadas cinematográficas,
visões e ângulos de câmeras, efeitos luminosos e técnicas criativas
de "storyboards", além é claro, de um roteiro extremamente sofisticado
- tudo isto distinguia "The Spirit" como uma obra-prima dos
quadrinhos. Seu trabalho foi interrompido em 1942, quando foi
convocado para servir ao Exército Americano na Segunda Guerra
Mundial. O exército tirou vantagem de ter um cartunista em suas
fileiras, usando-o para produzir cartazes, ilustrações, quadrinhos
de treinamento e entretenimento para as tropas.
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Depois
da guerra, Will retomou de forma bastante reduzida a
produção do "The Spirit", que havia tropeçado em mãos
pouco hábeis durante sua ausência. Em dezembro de 1945,
ele re-introduziu as tiras, contando as origens do "The
Spirit", o que fez seu sucesso voltar à tona imediatamente.
Nesta época, com a ajuda de Jules Feifer e logo a seguir
Wally Wood, Will continuou com as histórias até 1952.
Não contente com a linha detetivesca do personagem,
neste período Will aproveitou as histórias do "The Spirit"
para explorar uma gama de estórias, que iam de simples
contos de pessoas comuns até aventuras fantásticas de
vôos intergalácticos e de ficção científica.
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Simultaneamente, Will dedicou-se a outros projetos, histórias
e personagens - são desta época: "Kewpies", "Baseball", "Nubbin
the Shoeshine Boy" e "John Law". Nenhum destes atingiu grande
sucesso de público, sendo que muito roteiros e esboços destes
quadrinhos acabaram sendo utilizados no "The Spirit". Enquanto
produzia o "The Spirit", Will fundou a "American Visuals Corporation"
que era uma companhia comercial de arte, dedicada à criação
dos "comics", cartuns e ilustrações para fins educacionais e
comerciais. Will ressucitou Joe Dope, um soldado raso que havia
criado nos tempos da guerra da Coréia, para a "P*S
Magazine" do exército americano. Outros clientes de Will
foram a RCA Records, Baltimore Colts e a New York Telephone,
logo estes trabalhos ocuparam a maior parte do tempo de Will
e "The Spirit" foi abandonado em detrimento de ocupações mais
rentáveis, que se estenderam até o final dos anos 70. Em meados
dos anos 60, vários artigos publicados na imprensa, renovaram
o interesse pelo "The Spirit", e as tiras e histórias foram
re-editadas sob várias formas e continuam sendo até hoje. Will
foi convencido a produzir um novo material do "The Spirit" nesta
época, mas, a despeito do enorme interesse dos fãs, ele não
teve muito gosto em re-visitar o que via como suas fantasias
heróicas da juventude.
Procurando por uma forma de expressão mais madura para os quadrinhos,
Will gastou dois anos trabalhando em quatro histórias curtas
e seqüenciadas que viriam a formar o célebre "Contrato
com Deus", publicado pela primeira vez em 1978. Neste livro,
pelos cortiços
do Bronx dos anos 30, com pedaços de vida e histórias
de moral, Will retorna às suas raízes e descobre um novo
potencial para os quadrinhos, as "Graphic Novels" ou Novelas
Gráficas. Will deu seqüência a este primeiro passo, com uma
série de "Graphic Novels" publicadas pela editora alternativa
"Kitchen Sink Press, com temas que rondavam a semi-autobiografia
- "The Dreamer" e "To the Heart of the Storm" (No
Coração da Tempestade); observações fúnebres da vida moderna
- "The Building" (O
Edifício) e "Invisible People"; visões humanas e poéticas
- "New
York", A Grande Cidade; parábolas de ficção científica -
"Life on Another Planet" e visões apocalípticas - "Signal From
Space" (Um
Sinal do Espaço). Com isto Will Eisner ajudou a quebrar
o mito de que quadrinhos são um tema juvenil, um lugar habitado
apenas por super-heróis, ele trouxe o público adulto para os
quadrinhos.
Além de sua magnífica contribuição para o mundo dos quadrinhos,
Will Eisner também ensinou a arte dos quadrinhos na "School
of Visual Arts" em Nova Iorque e foi autor de um tratado definitivo
sobre o processo criativo dos quadrinhos "Comics and Sequential
Art" (Quadrinhos
e Arte Seqüencial) e "Graphic Storytelling" (ainda
não editado em português). Todos os anos ele preside
o "Eisner Awards", criado em 1988 para premiar os melhores autores
do mundo dos quadrinhos, com eventos realizados anualmente em
San Diego - Califórnia. Will Eisner já foi citado como fonte
de inspiração e leitura obrigatória por todos aqueles que se
dedicam aos quadrinhos, mestre dos mestres, sua influência pode
ser vista em todos os cantos do mundo. É uma das mais ativas
e produtivas personalidades dos quadrinhos até os dias de hoje.
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