Assistir à família real passando em cortejo e ao tumulto que
isto pode causar nos dias de hoje, faz com que re-examinemos e voltemos a explorar um
pequeno personagem, que reinou com maestria, bondade e bom humor, em um reino fictício,
há muito tempo atrás, falamos é claro de sua majestade "Reizinho" (The Little
King).
Você não irá achar seu reino em qualquer atlas, os domínios do Reizinho só podiam ser
encontrados nas tiras dominicais dos jornais, uma terra de felicidade, muito charme e
atividades alegres, todas supervisionadas pelo pequeno soberano. Do ponto de vista
artístico, as tiras do Reizinho, eram de uma economia de traços excepcional. O estilo
consistia de poucas e elegantes linhas que definiam as cenas. O tema de cada episódio era
extremamente simples e estrelado por um monarca que não tinha muito a dizer, a
propósito, o Reizinho nunca pronunciou uma única palavra sequer durante os 40 anos em
que esteve nas tiras dos jornais.
Como homem de nenhuma palavra, ele pertenceu ao seleto grupo de personagens
"mudos" tais como Pinduca (Henry) e Ferdinando (Ferd'nand).
O Reizinho foi uma criação do talentoso artista que assinava seu trabalho como O.Soglow.
A
virada do século 19 trouxe consigo Otto Soglow, nascido em Nova York em 23 de dezembro de
1900, tendo trazido às páginas de quadrinhos americanas, um monarca que reinou nos
tempos do Art Deco, representado com uma técnica altamente estilizada. Otto Soglow,
vendeu seu primeiro cartoon, ainda em 1919, porém sua carreira profissional só
decolou em 1926, quando começou a vender ilustrações estilo western para o Lariat
Magazine. Outras ofertas surgiram, e durante os anos 20 se tornou colaborador regular
das revistas Life, Judge e a mais importante, The New Yorker. Foi no The
New Yorker que ele viveu seus dias de ouro, na companhia de co-autores como, S.J.
Perelman, James Thurber e E.B. White, cada um destes cavalheiros juntamente com muitos
outros, deram suas contribuições em títulos dos clássicos cartoons de Otto
Soglow.
No estilo típico do New Yorker, seus cartoons muitas vezes eram muito sutis,
necessitavam de uma observação mais atenta, para se descobrir o seu verdadeiro sentido.
Otto teve seus cartoons publicados semanalmente na revista. Igualmente, o magnata da
imprensa, William Randolph Hearst foi arrebatado pelos encantos e o espírito critico do
pequeno monarca e "roubou" Otto Soglow do New Yorker, embora as relações
contratuais prevessem isto, a impaciencia de Hearst em tê-lo em seu jornal, fez com que
ele induzisse Soglow a desenhar para o seu jornal, um personagem chamado O Embaixador (The
Ambassador); este personagem aparentava uma misteriosa semelhança com o Reizinho, e
finalmente quando o pequeno monarca estreou nas páginas de quadrinhos do jornal de Hearst
em 9 de setembro de 1934, O Embaixador desapareceu misteriosamente.
Uma das primeiras estórias do Reizinho, é provavelmente a mais lembrada, neste clássico
episódio, nosso humilde monarca, demonstrava ser comum como qualquer outra pessoa em seus
afazeres diários. Clique Aqui
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Um
outro exemplo charmoso do humor sutil de Soglow pode ser visto num episódio de 1956,
nesta cena, o Reizinho é ajudado por seus serviçais a posar para um famoso quadro, muito
conhecido de todos nós. Clique Aqui para ver o cartoon - 40 Kb
A
popularidade do Reizinho se espalhou por livros, brinquedos e desenhos animados, numa
época em que o merchandising ainda usava fraldas.
As atividades de Soglow se extenderam além da prancheta, ele se dedicava a inúmeras
atividades humanitárias e de caridade, foi também co-fundador da National Cartoonists
Society e ganhador do prestigiado prêmio Reuben de 1961. Soglow desenhou para o New
Yorker pequenas ilustrações para a seção "Talk of the Town"até 1972 e
manteve seu personagem Reizinho até sua morte em 1975.
A arte
de Otto Soglow demonstra que a simplicidade tem uma enorme atração, uma lição e tanto
nestes tempos agitados e confusos.