Tintim - Os Álbuns !
O
sucesso é sempre fascinante. O de Hergé, apesar de discreto, foi fruto de uma evolução
e de trabalho, de intuição e de abertura pessoal. Considerado como o farol da banda
desenhada (história em quadrinhos) européia, Hergé - cuja obra engloba outros
personagens - é principalmente conhecido como o criador de Tintim. Tintim é o herói de
duas dezenas de aventuras, onde a mais célebre, Explorando a Lua, foi vendida em mais de
cinco milhões de exemplares. Contudo, até ao final da sua vida, Hergé foi sempre um
homem modesto e discreto, pouco conhecido pelo grande público. Georges Remi escondia-se
atrás de Hergé que, por sua vez, se escondia por trás de Tintim.
Quando do
"nascimento" de Tintim, Georges Remi tinha cerca de vinte e um anos. Já
assinava Hergé há algum tempo. Com efeito, ao longo dos seus estudos na Escola, Hergé
tinha-se já distinguido como ilustrador e tinha vindo a publicar os seus desenhos numa
revista para escoteiros...
Trabalhando no serviço de assinaturas do jornal católico belga Le Vingtième Siècle
e guardando dentro de si a ânsia de se vir a tornar um grande reporter, Hergé fez-se
notar pelas suas qualidades de desenhista. O director do jornal havia-lhe confiado a
responsabilidade de um suplemento para os mais jovens: Le Petit Vingtième.
Hergé, que fazia praticamente de tudo ou quase, resolveu-se por começar a ilustrar uma
história cujo cenário sem pés nem cabeça lhe tinha sido imposto. Foi a partir dessa
tarefa sem interesse que nasceu Tintim. Descontente por ter criado um herói à sua
medida, o jovem Hergé, que tinha já lido os "comics" norte-americanos,
resolveu, então, inovar a matéria gráfica da sua história, ao substituir os pequenos
textos por baixo das vinhetas por balões.
10 de Janeiro de 1929, Bruxelas. Acompanhado do seu cão Milú, um novo reporter entra no
comboio e parte com destino a Moscou. Para Tintim, é o início de uma grande aventura.
Para Hergé é o verdadeiro começo da sua carreira. Les Aventures de Tintin,
reporter du Petit Vingtième au pays des Soviets (nunca editado em Português) foi
publicado sob o formato de álbum em 1930. Esse ano marca o nascimento de um mito que
está ainda muito longe de morrer e dos primeiros sinais de um longo confronto entre a
ficção e a realidade. Deste modo, quando termina esta primeira aventura e Tintim
regressa à sua residência, uma multidão bem real vem acolher à Gare do Norte
(Bruxelas) o herói de papel que acaba de chegar da URSS! É o começo de um longo sucesso
que continuaria a crescer ao longo dos anos...

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Seguro
da sua popularidade, Tintim reparte em busca de novas aventuras e, desta vez, é para o
Congo belga que ele se dirige. Tintim no Congo (1931) - no Brasil, Tintim na África - é
o reflexo de uma época colonialista e paternalista. Para esta nova aventura, Hergé
improvisa ainda a história, mas não por muito mais tempo.
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Em
Tintim na América (1932), o nosso herói confirma mais uma vez a sua vocação de
"anti-bandidos", ao opôr-se ao mafioso Al Capone e aos gangsters de Chicago.
Hergé testemunha já uma visão generosa do Mundo, ao condenar, por exemplo, certas
atitudes dos Brancos por oposição aos Índios Peles-Vermelhas.
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Em Os
Charutos do Faraó (1934), Tintim encontra-se envolvido, por mero acaso, num tráfico de
estupfacientes que o leva até à Índia. Entretanto, encontra Dupond e Dupont, dois
desastrados polícias que se vão afirmando progressivamente...
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Perseguindo
os traficantes até à China, Tintim encontrará, em O Lotus Azul (1936), um jovem
chinês, órfão, de seu nome Tchang. Por outro lado, descobrirá em Rastapopulos um
terrível inimigo que voltará a encontrar mais tarde... Hergé, cuja técnica narrativa e
gráfica não param de se afirmar, dá, contudo, um especial relevo ao cenário e à
documentação. A sua preocupação com a veracidade confirma-se aqui a todos os níveis e
é com grande detalhe que ele relata no album a política expansionista praticada pelo
Japão num conflito que o opunha então à China.
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O
Ídolo Roubado - (Ao "pé da letra" - A Orelha Quebrada) (1937) é um
conjunto palpitante de fugas e de perseguições. Tintim embarca para o San Theodoros, com
o intuito de restituir a um Museu um ídolo que lhe fora roubado. Entretanto, na América
do Sul vivem-se momentos de grande agitação militar e econômica: a guerra do Gran
Chaco tinha vindo, durante três anos, a opôr a Bolívia ao Paraguai. |

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Através
da imprensa, Hergé ouviu falar de um tráfico de notas falsas no Reino Unido. Foi na Ilha
Negra (1938) que Hergé adaptou esses eventos ao Mundo de Tintim. O nosso herói
dirige-se então para a Escócia onde encontra, após ter escutado lendas de velhos
escoceses sobre um monstro implacável e violento, um gorila que assombra um castelo
abandonado numa ilha rochosa.
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País
imaginário, a Sildávia serve de cenário ao episódio seguinte:
O Cetro de Ottokar (1939). É nesse pequeno reino da Europa de Leste que
Tintim travará conhecimento da famosa Bianca Catasfiore, antes de salvar a monarquia
sildava, vítima de uma conspiração que não é mais que uma alusão ao Anschluss
e à Segunda Guerra Mundial que se tinham vindo a aunciar. Todavia, as imposições da
ocupação alemã na Bélgica (1940) e a ameaça da censura na imprensa conduziram Hergé
a distanciar-se mais da actualidade e das angústias e vicissitudes da guerra.
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O
Caranguejo das tenazes de Ouro (1941) leva Tintim à África do Norte, onde este faz
fracassar os planos de um bando de malfeitores que dissimulavam ópio em latas de
caranguejo. É graças a este enredo que Tintim conhece aquele que viria a se tornar o seu
principal companheiro de aventuras: o capitão Haddock. Prisioneiro de seus amotinados
marinheiros liderados por Alan, Haddock tem seu cargueiro seqüestrado por estes, mas, é
libertado por Tintim. |

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Primeiro
episódio a ser publicado a cores, A Estrela misteriosa (1942) tem por base a queda
de um meteorito que contém um metal inteiramente desconhecido até à altura, no Oceano
Ártico. Tintim e Haddock fazem parte da expedição científica que, ao preço de uma
alucinante corrida contra o tempo com certos industriais sem escrúpulos, o tenta
recuperar.
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Em
O Segredo do Licorne (1943) e no Tesouro de Rachkam o Terrível (1944), a
continuação, Tintim acompanha o capitão Haddock na busca do tesouro seu glorioso
antepassado o cavaleiro François de Hadoque. Inventor de um pequeno sub-marino em forma
de tubarão, um certo Trifólio Girassol viria a contribuir de maneira decisiva para a
descoberta do tesouro e, posteriormente, a oferecer ao capitão o castelo do seu
antepassado: o Castelo de Moulinsart.
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Nas
Sete Bolas de Cristal (1948), sete sábios caem misteriosamente em estado de
letargia depois de regressarem de uma expedição nos Andes. Entretanto, desaparece o
professor Girassol e os nossos heróis partem à sua procura. O sobrenatural e a
conspiração de inimigos que buscam os segredos das Sete Bbolas de Cristal criam o
clímax desta trama. |

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É
no Peru que o episódio intitulado O Templo do Sol (1949) se desenrola e onde
Tintim e Haddock encontram o professor Girassol, prisioneiro dos últimos Incas. Juntos,
eles conseguirão salvar as vitimas da maldição que os paralisava. Este episódio é a
conclusão d'As Sete Bolas de Cristal, onde Tintim se passa por um deus e á salvo da
morte, por sua astúcia e sagacidade, |

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Pelo
Mundo inteiro, motores de automóveis não param de explodir: a gasolina deve ser
falsificada! Uma crise petroleira ameaça... no Médio Oriente, o xeque Bab El Ehr tenta
destronar Mohammed Ben Kalish Ezab e esse conflito local pode a qualquer momento fazer
estalar uma guerra. É o suficiente para levar Tintim ao País do Ouro negro
(1950). |
 
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Rumo
à Lua (1953) relata as inúmeras peripécias a que são submetidos os nossos heróis
na preparação de uma expedição lunar organizada pelo professor Girassol a partir de
solo sildavo.
Explorando a Lua (1954) descreve a primeira viagem no espaço e a exploração do
nosso satélite por Tintim e seus amigos, quinze anos antes dos americanos Amstrong e
Aldrin! Uma antecipação extraodinariamente bem documentada e executada que mostram o
cuidado e a argúcia dados à história. |

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O
Caso Girassol (1956): Esta nova aventura leva de novo Tintim à Sildávia e à
Bordúria, desta vez num clima de guerra fria. Inventor de um dispositivo de ultra-sons, o
professor Girassol é raptado por espiões; é também nesta história que aparece o
segurador da Mondass, Serafim Lampião, que viria mais tarde a revelar-se um verdadeiro
incômodo. Fugas, perseguições, reencontros,... quando afinal todo o enredo parece
desenrolar-se à volta de um simples guarda-chuva: é sem dúvida este o episódio mais
policial de toda a série. |

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No
álbum Perdidos no Mar (Do original Carvão no porão) (1958), aprendemos que o
tráfico de escravos ainda existe. Desde inúmeras peripécias no Oriente até um
impressionante combate naval, Tintim viria a conseguir desmantelar o odioso comércio
clandestino organizado pelo sinistro Rastapopoulos. |

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Um
avião onde viajava o jovem amigo chinês de Tintim - Tchang - dirigia-se para a Europa
quando caiu violentamente nos Himalaias. Tintim no Tibete (1960) é uma pura
história de amizade, sem um único inimigo que descreve o desespero de Tintim para
encontrar o seu amigo. Esta história patética, que rompe com a extroversão dos
episódios precedentes, mostra que a fidelidade e a esperança são capazes de vencer
qualquer obstáculo e mitos - como o do "abominável homem-das-neves" - que por
vezes são fruto da nossa ignorância. |

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Em As
Jóias da Catasfiore (1963), os principais protagonistas da série encontram-se em
Moulinsart para aí viver uma verdadeira comédia clássica... Virando as costas à
aventura para se virar para a dificuldade que é a comunicação entre os seres, este álbum
é uma verdadeira exceção no Mundo de Tintim, repleto de malentendidos e de situações
curiosíssimas. |

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Vôo
714 para Sydney (1968) , é uma viagem interrompida, um desvio que complica tudo, a
incursão de Tintim e seus amigos no desconhecido, num mundo irreal animado por fenómenos
telepáticos, o contato com extra-terrestres e a saída de um sonho... Mas tratar-se-á
mesmo de um sonho? |

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Com
um tema de vingança e prisioneiros sob um fundo de guerrilha, Tintim e os Picaros
(1976) marca o regresso de Tintim a San Theodoros, o país de O Ídolo Roubado.
Contudo, o álbum de Hergé corre o risco de nos fazer constatar que este mundo não é
mais que um carnaval de mascarados. |

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Ainda
inacabado aquando da morte de Hergé em 1983, Tintin et lAlph-Art (1986 -
nunca editado em Português) tencionava descrever o mundo das seitas religiosas e levar
Tintim a um mundo que afetava diretamente Georges Remi, dito Hergé: o da Arte
Contemporânea... Se este álbum póstumo não serve que para evocar a trama desta
história suspensa é, por outro lado, o testemunho do estado puro do extraordinário
talento narrativo e gráfico do pai de Tintim. Nesta aventura, nós leitores, tal como
Tintim, ficamos em suspenso pela caneta de Hergé. |
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