01 Abril 2007
31 Março 2007
Da demolição... à reconstrução!

Há 27 anos atrás presenciei e documentei através das lentes da minha máquina fotográfica, um pedaço da história política do Brasil. Refiro-me à interdição e derrubada do prédio onde funcionava a sede da UNE - União Nacional dos Estudantes.
Manifestações, repressão, protestos, violência, desmandos, direitos violados, este era o clima dos últimos anos da ditadura. Não foram suficientes as vozes populares, de estudantes de todo o Brasil, de autoridades, de políticos, de profissionais dos meios de comunicação e um contingente que beirava 10.000 pessoas, pedindo que o prédio na Praia do Flamengo, 132, não fosse derrubado - o autoritarismo venceu!
Flagrei operários anônimos fazendo seu serviço, marreta em punho, a serviço de um governo que estava com seus dias contados. Guardei estas memórias comigo na mente e em negativos e cópias fotográficas, que ao longo deste tempo só uns poucos amigos tiveram a oportunidade de ver.
Hoje com a retomada do terreno que pertence a UNE, onde por todo este tempo funcionou um estacionamento, abri a caixa de minhas memórias e mostrei aos estudantes acampados no terreno, que nós havíamos lutado como eles por um ideal – perdemos naquela época, mas eles hoje venceram.

Como que numa máquina do tempo, tive a oportunidade de flagrar recentemente, um estudante - Darwin... este com nome, marreta em punho, a serviço da liberdade, limpando o terreno para a construção da nova sede da UNE. A mesma foto com intervalo de 27 anos, porém com ideais diferentes!
Os registros fotográficos que fazem parte de meu acervo com quase 100 imagens vão virar um livro com o apoio da UNE e farão parte de uma exposição itinerante promovida em associação com o IPHAN-RJ.
Exposição conta a História do prédio da UNE
Será inaugurada no dia 1º. de abril de 2007 a exposição que conta a História do prédio da UNE na Praia do Flamengo, 132 - Rio de Janeiro.
Palco de inúmeras manifestações políticas o prédio que inicialmente abrigou o clube Germânia - reduto de simpatizantes nazistas - foi tomado pelos em 1942 e que passa a ser a sede da UNE. Pouco depois, o presidente Getúlio Vargas doava definitivamente o edifício à entidade. É realizado o primeiro recenseamento universitário. Em dezembro, instala-se, na sede da UNE, o primeiro restaurante estudantil.
Em 1948 a UNE teve a sua sede invadida pela primeira vez por forças policiais, por ocasião do Congresso da Paz e dos protestos estudantis contra o aumento das passagens de bonde.
Já no governo de JK, ocorre a segunda invasão policial ao prédio da UNE na campanha desencadeada pela entidade contra o aumento das passagens de bonde. A polícia também tenta invadir o prédio da Faculdade Nacional de Direito, onde as lideranças estudantis estavam abrigadas, sendo contidas pelo reitor Pedro Calmon.
Em 1964, a Ditadura Militar incendeia a sede a UNE, como forma de intimidação e invade as instalação da Faculdade Nacional de Direito, apreendendo documentos e acervos históricos do Centro Acadêmico Cândido de Oliveira, muitos que versavam sobre as atividades da UNE. O Prédio da Faculdade é cercado por tanques e grupos paramilitares de direita, que metralham a fachada do prédio e tentam incendiá-lo, com os estudantes dentro, mas são contidos por um capitão do Exército, Ivan Proença, que será foi expulso das forças armadas em razão deste gesto.
Em 28 de março de 1968, o estudante Edson Luís Lima Souto é morto durante uma manifestação contra o fechamento do restaurante Calabouço, no Rio de Janeiro. No dia seguinte, cerca de 50 mil pessoas participam do cortejo fúnebre, onde várias pessoas foram presas clandestinamente pelo exército.
Em junho de 1980 o prédio da UNE é tomado pela polícia militar sob as ordens do governo João Figueiredo, a despeito de manifestações populares que reuniram perto de 10.000 pessoas, dentre elas estudantes de todo o Brasil, políticos e jornalistas, o prédio foi demolido - o terreno foi ocupado ilegalmente por um estacionamento.
Finalmente em fevereiro de 2007, os estudantes invadem e acampam no terreno que lhes pertence por direito e retomam o espaço onde será reconstruída uma nova sede, presente do arquiteto Oscar Niemeyer, um Centro Cultural e um Museu da Memória do Movimento Estudantil, que vai manter sempre viva a chama da luta e a perspectiva de um futuro altivo para o País.
A UNE está de volta pra casa.
Fonte: Wikipedia





